DE PORTAS FECHADAS

[…] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o facto que tenta demonstrar.

12 novembro 2005

A 1ª Viagem de Jeremias


Mesmo sem um centavo no bolso, Jeremias estava decidido iria procurar os animais que tinham pertencido ao seu tio.
A única indicação que tinha no livro era que se tratavam de animais diferentes que dariam muito dinheiro ao seu dono e que o seu tio antes de morrer os tinha deixado com um tal de Tónio Anjinho.
O primeiro passo seria encontrar Tónio Anjinho e a indicação que tinha não dificultava nada a tarefa claramente o manual dizia:
“ Os dois últimos bizarros animais entreguei-os a um homem são, no entanto não duvido que mais dia menos dia seja evadido pela loucura, tal como me aconteceu a mim. O mundo tem de me agradecer pois fui eu que o salvei da mais temível invasão de sempre. Fui eu quem descobriu a forma de aniquilar e matar estas criaturas ultrajantes. Apenas sobraram duas… mas incapacitei-as e não são mais do que duas peças de museu para a humanidade poder ver do que se livrou. Tónio Anjinho vive no monte, junto à Clareira Velha…”
Jeremias sabia muito bem onde era a Clareira Velha, não demoraria mais de dois dias e duas noites a chegar lá. Reuniu os seus haveres, um canivete, uma corda, dois pães um cantil com vinho e pouco mais. Saiu decidido, a noite aliviava-lhe o fôlego, mas começava a sentir o esmagador peso da responsabilidade em descobrir um dos mais misteriosos segredos de sempre, depois de dois dias a andar já com fome e sede avistou o vale onde já fora uma vez na sua infância.
- É aqui, lembro-me bem!
Encostou-se ao cajado e ficou a olhar, á espera de algum sinal ou indicação que lhe pudesse dizer onde poderia encontrar Tónio Anjinho.
Uns metros mais abaixo Jeremias viu um casebre de onde saia fumo pelo telhado, aproximou-se com esperança de encontrar alguém que lhe pudesse indicar onde encontrar quem procurava.
- Está aqui alguém?
Gritou para dentro de casa.
Uma velha com ar esgazeado assomou á porta e com uma careta perguntou?
- Quem és tu menino? O que queres a esta hora? O que andas a fazer?
Jeremias não demorou a aperceber-se da loucura da velhota e questionou-se se deveria ou não dizer ao que vinha, a velha continuava
- O que queres? Vá lá, diz lá menino? Aqui não entras, diz lá o que queres! E ria cheia de vontade a velhota…
- Procuro o Tónio Anjinho…
A anil mulher especou-se de repente… os seus olhos avermelharam e Jeremias viu que não fora boa ideia a pergunta.
- O que disseste?
- Procuro o Tonio Anjinho, era amigo do meu tio e …
A porta fechou-se à sua frente, e a velha desapareceu dentro de casa. Talvez ela não dê com o Anjinho pensou.
Jeremias ia continuar a descer em direcção ao vale quando a voz da velhota o chamou atrás de si:
_ Menino, anda cá!
A velhota levou-o para dentro de casa e perguntou-lhe em voz baixa como se pudessem estar a se espiados por alguém:
- O que querias ao tónio Anjinho?
Jeremias não pretendia partilhar o seu segredo, nem dizer que descobrira o livro, nem nada disso e limitou-se a responder:
_ O meu tio Artur das Cabras antes de morrer disse-me que deixaria algum gado com ele e por isso vinha busca-lo pois pertence-me por herança.
- E ele disse-te que tipo de gado era?
- Cabras. Era o gado que ele tinha não? Perguntou Jeremias fingindo-se o mais natural possível.
- Não, Não era. Ele tinha dois animais estranhos. Não eram de carne percebes?
- Não eram de carne?
- Não, eram de uma espécie de metal e tinham uma coisa que mais nenhum animal tem…
- O quê perguntou Jeremias.
- Falavam!
Jeremias ficou atordoado, cabras de metal e que falavam…não havia dúvida que a velhota era mesmo lunática.
-Estou a ver disse ele à velha numa tentativa de abreviar a conversa para sair dali, mas diga-me então onde poderei encontrar o Tónio Anjinho para ver esses tais animais.
- Morreu! Disse secamente. Mataram-no, vieram de noite, secretamente, levaram as duas cabras e fingiram um desastre de carroça para a morte parecer um acidente. Mas eu vi e lembro-me como se fosse hoje, dois jovens e um homem baixo de cara redonda e avermelhada a arrastarem o desgraçado no dia seguinte apareceu morto debaixo da carroça e o gado tinha desaparecido.
- Mataram-no?? Tal como ao meu tio.
Jeremias tinha agora uma certeza, havia algo de estranho nesta história, ainda que ele não acreditasse em cabras metálicas e que falavam, uma coisa era certa, o seu tio descobrira um segredo e havia alguém muito interessado em mantê-lo bem guardado.

1 Comments:

At 14 novembro, 2005 22:25, Blogger north said...

meus amigos dois dias passaram!!!
nada!

 

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