DE PORTAS FECHADAS

[…] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o facto que tenta demonstrar.

06 novembro 2005

Capitulo I– Como surgiu a ideia de escrever o grande livro das Cabras


Artur das Cabras (na foto) possuía uma capacidade para adivinhar, embora como a maior parte das pessoas com dotes especiais desconhecesse o facto até um dia… Para Artur das Cabras, este momento ocorreu na Quinta do Costa, numa manhã de sol dos anos 10. A sua fonte de inspiração foi um casal de Cabras que pastava num campo verde.
Ao olhar os caprinos, cintilantes na sua condição irracional Artur murmurou para si:
- O obstáculo mais sério que impede a minha chegada à límpida verdade é querer ter e dominar a situação ou por nas mãos de outro ser humano, no qual "tenho muita fé" para que esta situação seja resolvida.
- Por acaso essa minha técnica de ultrapassar Deus é eficaz?
- Evidentemente que não! - Respondeu a si próprio
- Se eu observar as situações nas quais, hipoteticamente, o mundo civilizado vive fisica e espiritualmente verifico uma lixeira, cuidadosamente cromada, brilhando muito e que me tem conseguido ainda assim atrair…. Ainda que seja uma lixeira….
Não havia dúvidas Artur estava louco havia já muito tempo.

Artur das Cabras decidira ali escrever um livro, um livro que divulgasse toda a sua experiência, todas as suas fugas e acima de tudo que contasse as suas inacreditáveis aventuras. Toda a gente o olhava como se ele fosse um louco desvairado que dizia ter visto extraterrestres e que tinha falado com cabras vindas do espaço. Ainda que ninguem acreditasse no seu livro pelo menos este serviria de arcaboiço aos seus mais ou menos cem anos de hipotética "iluminação" científica, psicológica e espiritual. Um livro que a nova inquisição trataria de desacreditar...
- O mundo seguiu como uma cabra cega Sigmund Freud e ignorou Carl Jung; pensou Artur das Cabras.
- Freud justificava qualquer desajuste sexual como sendo o resultado normal de algum trauma. Paralelamente a mensagem era a seguinte: "Assim te fizeram (feriram espiritualmente) e Deus permitiu-o; portanto Deus está de acordo que vivas e ajas de acordo com o resultado de essa ferida espiritual".
Por seu lado Carl Jung reconhecia essas feridas e a sua obra estava centrada na cura, sem se importar com as suas purulentas consequências.
A diferença das perspectivas era básica. Sigmund Freud era ateu. Carl Jung, por outro lado, tinha uma filosofía espiritual muito diferente.
Mas isso não interessava a Artur das Cabras, depois de ter visto e vivido um conjunto de situações que deixaria louco o comum dos mortais, Artur não fora uma exepção e já no final dos seus dias, antes de ser brutalmente assassinado perguntaram-lhe: - "Acredita em Deus?" A pergunta baralhou Artur das Cabras: "Não, eu não acredito em Deus... eu conheço Deus!"
Para Artur das Cabras já não era uma questão de fé, era simplesmente uma realidade. Naturalmente, os resultados da sua experiência de vida foram verdadeiramente iluminados. No mundo, se essa sua experiência de vida for dada a conhecer como o foram os trabalhos de Freud, Artur tem uma certeza: Sairemos da aberrante orgia carnal na qual o mundo actual está submerso e cairá por terra todo um conjunto de verdades inquestionáveis.
- Tudo vai ser posto à prova, murmurou.
Artur estava decidido iria escrever o GRANDE LIVRO DAS CABRAS

2 Comments:

At 07 novembro, 2005 18:55, Blogger north said...

Espero ver um capitulo novo todos os dias!

 
At 07 novembro, 2005 18:56, Blogger north said...

Isto é a minha novela da noite!!!

 

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