DE PORTAS FECHADAS

[…] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o facto que tenta demonstrar.

12 novembro 2005

A Descoberta


- Não são extra terrestres mas sim Deus que se quer mostrar! Disse o Bispo a um homem baixo de cara redonda e avermelhada.
- Mas que raio, será que cabe na cabeça de alguém que seres de outro mundo estejam a evadir o planeta? Insistia o Bispo cada vez mais alterado.
- Mas várias pessoas viram, asseguram que uma cabra falou com eles e em bom português, disse o homem baixo de cara redonda e avermelhada.
- É ridículo, combinamos que iríamos aproveitar este boato e vamos faze-lo! Custe o que custar!
- Ainda não lhe disse, senhor, mas o plano falhou! O pastor que queríamos transformar em visionário apanhou-nos a testar o equipamento. Tivemos que o deter.
O Bispo olhou-o de alto a baixo:
- Pensei que eram profissionais, afinal não passam de imbecis. E agora o que pensam fazer com ele?
- Ainda não sabemos, mas não o podemos deixar ir por aí a contar o que viu, isso seria o nosso fim.
- Façam o que têm a fazer disse o Bispo, e preparem um outro lugar com novas personagens, temos um plano a cumprir, o Sr. Professor não há-de gostar de saber que contratou um grupo de incompetentes.
- Começaremos a tratar disso hoje, disse o homem baixo de cara redonda e avermelhada


Três pisos abaixo, numa cave onde pipas de vinho se amontoavam fazendo lembrar uma adega medieval Artur das Cabras estava amarrado a um poste de madeira. A boca tapada com um grande lenço vermelho impedia-lhe uma respiração normal. Uma cabra roía as cordas que lhe amarravam os pés e depois as mãos, quando as cordas por fim cederam Artur caiu no chão atordoado. Destapou a boca e ficou vidrado a olhar o caprino que o tinham libertado. O animal parecia possuído e Artur não estava a gostar do que via. Antes que fosse surpreendido agarrou num cajado pousado no chão e atacou a cabra. Artur desferiu um duro golpe atingindo a chibarra na cabeça deixando-a estendida. Morta.
- Não pode ser, bramiu Artur.
O som da pancada parecera-lhe um som metálico, como se tivesse batido num gongo. Branco como a cal debruçou-se sobre o animal e viu um ser que nunca pensara existir:
Uma cabra metaliforme, era um animal igual a todos os outros que Artur tão bem conhecia só que o seu interior era metálico. O dia estava a ser franco em surpresas para Artur das Cabras, mas a maior surpresa ainda estava por horas.